Solax Company

Empresa cinematográfica norte americana fundada em 1910 por Alice Guy-Blaché, pelo seu marido Herbert e por George A. Magie, três antigos executivos da produtora francesa Gaumont, que imigraram para os Estados Unidos.

A empresa instalou-se em Nova Iorque, num antigo celeiro que foi transformado num estúdio para a produção de filmes sonoros. No entanto, como o estúdio não estava a ser utilizado a 100%, os responsáveis pela Solax decidiram produzir também filmes mudos.

Alice Guy-Blaché, mãe de dois filhos, era a directora artística da Solax e foi responsável, enquanto produtora, argumentista e realizadora, por grande parte dos filmes que saíram da empresa. Esquecida durante muitos anos, Alice Guy-Blaché é considerada uma das pioneiras da história do cinema, tendo realizado, entre muitos outros filmes, a curta-metragem A Fool and His Money (1912), que se crê ser o primeiro filme com um elenco constituído na sua totalidade por actores negros.

Em 1913, a Solax investe em novas instalações e constrói um moderno estúdio em Fort Lee (Nova Jérsia), considerado o centro cinematográfico norte-americano durante o cinema mudo. As novas instalações foram concebidas para englobarem todas as fases de produção de um filme, incluindo laboratórios para processamento de película, estúdios com tectos de vidro de forma a aproveitar a luz natural, escritórios administrativos, camarins, entre outras características.

O divórcio entre Alice e Herbert Guy-Blaché e o declínio da indústria cinematográfica na costa Este, que se mudou para Hollywood, onde os custos de produção eram mais baratos e cujo bom tempo permitia filmar ao longo de todo o ano, levou ao desaparecimento da Solax Company. O maior estúdio de cinema pré-Hollywood, deixou de operar em 1914.

Galeria de imagens dedicada a Alice Guy-Blaché no Flickr.

Hollywood: Máquina de Estrelas

Fotografia comemorativa do 20º aniversário da Metro-Goldwyn-Mayer, em 1943, com as maiores estrelas do estúdio e com Louis B. Mayer, o patrão do estúdio, na primeira fila ao centro.


“Mais Estrelas que no Céu
“. Era este o lema da Metro-Goldwyn-Mayer na “época dourada” de Hollywood e poucos estúdios tinham uma máquina tão oleada como o de Louis B. Mayer, um dos maiores criadores de estrelas da meca do cinema. No entanto, as estrelas de cinema não foram inventadas de repente, foi um processo evolutivo, que “nasceu” pouco após o do cinema.

No início, os actores eram apenas um rosto sem nome e o público contentava-se a ver as “imagens em movimento”. No entanto, por volta de 1910, a reacção do público em relação aos filmes alterou-se e aquele começa a responder a actores específicos. Respondendo a este desejo, a industria cinematográfica foi “recrutar” ao teatro conhecidos actores, sendo o melhor exemplo desta prática a Famous Players, produtora fundada em 1912 por Adolph Zukor com reputados actores teatrais. No entanto, o público queria “estrelas de cinema” e foi ele próprio a encontrar o queria: os filmes interpretados por uma “pequena rapariga de caracóis” rapidamente se tornaram populares e o público quis saber mais sobre ela. Assim nasce “Mary Pickford, estrela de cinema” e a sua popularidade foi tal que se tornou na “namorada da América” e na mulher mais conhecida no mundo.

O período que Mary Pickford representa (1913-1919) marca o nascimento da estrela de cinema, dos seus diferentes tipos e da percepção dos estúdios de que são os actores/estrelas a venderem os filmes. Durante o referido período, os estúdios aperceberam-se que o público via os actores como os personagens que representavam, numa estranha amálgama entre a pessoa e o personagem. Os estúdios aproveitaram tal situação e potenciaram-na através de casting, dos argumentos e da interpretação.

Com o advento do som, e consequente “passagem” das filmagens para dentro dos estúdios, a indústria cinematográfica apercebeu-se que as estrelas eram “mercadoria” e, como tal, poderiam ser “fabricadas”, deixando de ser algo dependente da sorte. Nasce, assim, a “máquina de estrelas”, que permitia descobrir potenciais estrelas, formata-las, vende-las e sustenta-las. Esta é a grande diferença entre o cinema mudo e o sonoro: enquanto no primeiro, as estrelas são contratadas pelo seu talento, beleza ou atributos e quando se revelavam populares tornavam-se estrelas; no cinema sonoro, as estrelas são criadas e controladas pela máquina. No entanto, houve actores que conseguiram manter-se na transição de uma para a outra época, como Greta Garbo, Charlie Chaplin, Gloria Swanson, entre outros.

Na década de 30, “a máquina de estrelas” encontrava-se em pleno funcionamento e a sua evolução coincidiu na perfeição com a transição para o cinema sonoro, que requeria um tipo de estrela mais natural e real. Os estúdios controlavam, então, todo o processo e conseguiam tornar qualquer actor numa estrela, incluindo crianças e cães. O controlo exercido pela “máquina” era tal, que se tornou na rotina diária dos estúdios e as estrelas viviam o seu tempo quase todo no estúdio ou controlado por ele. O temperamento dos actores, o gosto volátil do público e outros factores imprevisíveis, não eram obstáculos para os estúdios, cujos meios justificavam o fim: o lucro.

Durante décadas, a “máquina” funcionou na perfeição e só o fim dos grandes estúdios, durante a década de 50, destruiu a “máquina”. Embora a figura da “estrela de cinema” ainda perdure até aos nossos dias, o seu contexto e, em particular, o seu glamour estão longe da época dourada de Hollywood.

O Presídio

The Big House
Metro-Goldwyn-Mayer
Estados Unidos, 1930, 87 min., drama
Realizador: George W. Hill
Argumento: Frances Marion, Joseph Farnham, Martin Flavin
Actores: Wallace Beery, Robert Montgomery, Lewis Stone, Chester Morris, Leila Hyams

Um playboy bêbedo atropela mortalmente duas pessoas e vai para a prisão, onde tem de enfrentar grandes criminosos.

O Presídio é um relato brutal do sistema prisional americano dos anos 20/30 e foi um dos primeiros e mais interessantes do género a sair dos estúdios de Hollywood. Para isso, muito contou os valores de produção da MGM, que não poupou dinheiro e esforços na produção do filme. De tal forma, que O Presídio conta com um conjunto de inovações, técnicas e estéticas, que fazem com que o filme tenha desempenhado um papel importante na definição do género.

Uma das inovações com mais impacto foi a nível sonoro, já que, numa época em que os espectadores ainda se estavam a habituar à novidade, O Presídio conta com efeitos sonoros (as portas de ferro das celas a fechar, as rajadas de metralhadora, etc.) que criaram um grande impacto junto do público. De tal forma, que o som foi uma das categorias em que o filme foi galardoado na cerimónia dos Óscares.

O outro prémio da academia de O Presídio foi para a argumentista Frances Marion (a primeira mulher a vencer um Óscar fora da categoria de melhor actriz), que visitou a prisão de San Quentin como forma de conhecer melhor a realidade prisional e integrar essa realidade no filme. Este integra, assim, muito do calão e diálogos que Marion observou na prisão e a atmosfera do filme é um retrato fiel do ambiente de San Quentin.

O Presídio foi ainda nomeado nas categorias de melhor filme e melhor actor. Embora Wallace Beery não tenha ganho o prémio, a sua interpretação é impressionante e O Presídio tornou-o numa estrela. No entanto, Wallace apenas foi escolhido para participar no filme após Lon Chaney, a primeira escolha do estúdio, ter falecido pouco antes do início das filmagens. Wallace estava a almoçar no refeitório da MGM, poucos meses depois de ter sido contratado pelo estúdio após ter sido despedido pela Paramount Pictures, quando a Frances Marion o viu e o considerou semelhante aos presos que tinha visto em San Quentin.

Como era hábito na época, a MGM produziu diversas versões de O Presídio, em alemão, francês, italiano e espanhol:

* a versão alemã, intitulada Menschen Hinter Gittern, foi realizada por Paul Féjos e tem nos personagens principais Heinrich George e Gustav Diessl;
* a versão francesa, que teve como títulos Big House e Révolte dans le prison, foi também realizada por Paul Féjos e interpretada por Charles Boyer e André Berley.
* El Presidio foi o título da versão espanhola, realizada por Ward Wing e interpretada por José Crespo, Juan de Landa, Tito Davison, Luana Alcañiz, entre outros.
* A versão italiana, Carcere, é apenas uma versão dobrada em italiano de El Presidio.

Byrd no Polo Sul

With Byrd at the South Pole
Paramount Pictures
Estados Unidos, 1930, 82 min., documentário
Realizador: -
Argumento: Julian Johnson (intertítulos)
Actores: Richard E. Byrd, Clair D. Alexander, Bernt Balchen, George H. Black, Quin A. Blackburn

Relato da segunda viagem do Almirante Richard E. Byrd ao Polo Sul.

Documentário que funciona como anúncio publicitário às proezas de Richard E. Byrd (um artista por natureza), depois de este se ter apercebido da potencialidade do cinema como meio de comunicação, após a sua primeira expedição.

Byrd assegurou-se que tinha todas as condições para filmar, levando consigo bastante equipamento, entre ele projectores que permitiram filmar durante o longo inverno e equipamento de projecção e comédias para entreter a equipa técnica. O excelente nível de produção permitiu que os operadores de câmara tivessem todas as condições para trabalhar e o resultado final levou a que o filme fosse galardoado com o Óscar de melhor fotografia.