Lady in the Lake
Metro-Goldwyn-Mayer
Estados Unidos, 1947, 103 min., film-noir
Realizador: Robert Montgomery
Argumento: Steve Fisher, baseado no romance de Raymond Chandler
Actores: Robert Montgomery, Audrey Totter, Lloyd Nolan, Tom Tully, Leon Ames
O detective privado Philip Marlowe investiga o desaparecimento de uma mulher.
A Dama do Lago poderia ser mais um entre os muitos exemplos de film noir existentes, mas as suas circunstâncias de produção fazem dele um filme único na história do cinema. Antes de mais, A Dama do Lago revela-nos um Philip Marlowe muito diferente do que estamos habituados, nomeadamente de À Beira do Abismo, um dos grandes film noir da história do cinema. Em segundo lugar, pelo facto de A Dama do Lago ser filmado, na sua maioria, em câmara subjectiva, praticamente uma estreia em filmes de uma major.
O argumento de A Dama do Lago foi escrito pelo próprio Raymond Chandler, sendo a única vez que o escritor escreveu um argumento cinematográfico. No entanto, a versão que Chandler apresentou, com cerca de 175 páginas, revelou-se impossível de filmar e a MGM teve de contratar Steve Fisher para reescrever o argumento. Chandler insistiu que o seu nome fosse creditado como argumentista, mas após ler a versão de Fisher, recusou ver o seu nome associado ao argumento. A principal causa desta atitude foi a exclusão de uma cena crucial do romance original e a opção de Fisher de apresentar o filme em câmara subjectiva.
É precisamente a câmara subjectiva que torna A Dama do Lago um filme único. Tanto para mais que marca a estreia de Robert Montgomery como realizador (à excepção da experiência não creditada no filme Homens para Queimar, em que substituiu o realizador John Ford, que partiu uma perna nas rodagens). Montegomery, que aqui tem seu último filme para a MGM, com quem tinha contracto desde 1929, confessou as dificuldades que sentiu na realização numa entrevista na época, revelando que o filme implicou muitos ensaios, treino e cenários especiais, que consumiram grande parte do orçamento.
De tal forma a câmara subjectiva marca o filme, que o departamento de publicidade da MGM utilizou-o para publicitar o filme, anunciando que era o espectador, em conjunto com Montegomery, que resolvia o crime da história. No entanto, A Dama do Lago é muito mais que a câmara subjectiva e revela-se um interessante film-noir, com excelentes interpretações, nomeadamente as de Jayne Meadows, que interpreta três diferentes personagens, e Audrey Totter, que aqui tem o seu primeiro papel importante.
Como curiosidade refira-se que a ficha técnica inclui a actriz Ellay Mort, a interpretar a personagem Chrystal Kingsby, que não surge no filme. A referência é uma brincadeira, já que a fonética do nome é semelhante à frase francesa “elle est mort” (ela está morta).
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