Óscares: almanaque 2010

O Chambel.net apresenta documento de referência sobre os prémios da Academia das Artes e Ciências Cinematográficas norte-americana. Em formato PDF, o almanaque contem a lista de todos os vencedores na categoria de melhor filme, as respectivas nomeações e prémios ganhos, assim como as receitas de bilheteira e as respectivas classificações no IMDB.com.  O documento contem, ainda, outros dados e factos, tornando-se na referência ideal para quem gosta de cinema.

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A Dama do Lago

Lady in the Lake
Metro-Goldwyn-Mayer
Estados Unidos, 1947, 103 min., film-noir
Realizador: Robert Montgomery
Argumento: Steve Fisher, baseado no romance de Raymond Chandler
Actores: Robert Montgomery, Audrey Totter, Lloyd Nolan, Tom Tully, Leon Ames

O detective privado Philip Marlowe investiga o desaparecimento de uma mulher.

A Dama do Lago poderia ser mais um entre os muitos exemplos de film noir existentes, mas as suas circunstâncias de produção fazem dele um filme único na história do cinema. Antes de mais, A Dama do Lago revela-nos um Philip Marlowe muito diferente do que estamos habituados, nomeadamente de À Beira do Abismo, um dos grandes film noir da história do cinema. Em segundo lugar, pelo facto de A Dama do Lago ser filmado, na sua maioria, em câmara subjectiva, praticamente uma estreia em filmes de uma major.

O argumento de A Dama do Lago foi escrito pelo próprio Raymond Chandler, sendo a única vez que o escritor escreveu um argumento cinematográfico. No entanto, a versão que Chandler apresentou, com cerca de 175 páginas, revelou-se impossível de filmar e a MGM teve de contratar Steve Fisher para reescrever o argumento. Chandler insistiu que o seu nome fosse creditado como argumentista, mas após ler a versão de Fisher, recusou ver o seu nome associado ao argumento. A principal causa desta atitude foi a exclusão de uma cena crucial do romance original e a opção de Fisher de apresentar o filme em câmara subjectiva.

É precisamente a câmara subjectiva que torna A Dama do Lago um filme único. Tanto para mais que marca a estreia de Robert Montgomery como realizador (à excepção da experiência não creditada no filme Homens para Queimar, em que substituiu o realizador John Ford, que partiu uma perna nas rodagens). Montegomery, que aqui tem seu último filme para a MGM, com quem tinha contracto desde 1929, confessou as dificuldades que sentiu na realização numa entrevista na época, revelando que o filme implicou muitos ensaios, treino e cenários especiais, que consumiram grande parte do orçamento.

De tal forma a câmara subjectiva marca o filme, que o departamento de publicidade da MGM utilizou-o para publicitar o filme, anunciando que era o espectador, em conjunto com Montegomery, que resolvia o crime da história. No entanto, A Dama do Lago é muito mais que a câmara subjectiva e revela-se um interessante film-noir, com excelentes interpretações, nomeadamente as de Jayne Meadows, que interpreta três diferentes personagens, e Audrey Totter, que aqui tem o seu primeiro papel importante.

Como curiosidade refira-se que a ficha técnica inclui a actriz Ellay Mort, a interpretar a personagem Chrystal Kingsby, que não surge no filme. A referência é uma brincadeira, já que a fonética do nome é semelhante à frase francesa “elle est mort” (ela está morta).

Heróis no Pacífico

Operation Pacific
Warner-Bros.
Estados Unidos, 1951, 111 min., guerra
Realizador: George Waggner
Argumento: George Waggner
Actores: John Wayne, Patricia O’Neal, Ward Bond, Scott Forbes, Philip Carey

Durante a II Grande Guerra Mundial, o comandante de um submarino sacrifica a sua vida pessoal na luta contra os japoneses.

Muito embora seja dedicado aos soldados que morreram na II Grande Guerra Mundial e utilize imagens reais de combate, Heróis no Pacífico não deixa de ser um rotineiro filme de guerra, que aposta tanto nas cenas românticas, como nas cenas de guerra.

Alice Guy-Blaché, Pioneira da Sétima Arte

A história do cinema está cheia de figuras pioneiras, que os tempos esqueceram. Alice Guy-Blaché é uma dessas figuras e cujo contributo foi fundamental para o desenvolvimento do cinema enquanto arte.

Alice Guy nasceu a 1 de Julho de 1873, em Paris. Filha de pais franceses, que viviam no Chile, Alice viveu os seus primeiros anos com a avó, até os pais regressarem a França, onde viriam a morrer pouco tempo depois.

A nível profissional, Alice Guy começou a sua carreira como secretária de Leon Gaumont, que trabalhava para um fabricante de máquinas fotográficas. Quando o negócio deste entrou em dificuldades económicas, Gaumont, em conjunto com outras figuras, entre elas Gustave Eiffel, comprou o inventário da empresa e formou, em 1895, a Gaumont, que viria a ser uma das mais importantes empresas cinematográficas do mundo. Alice acompanhou Gaumont na nova empresa e como responsável pela produção o seu trabalho revelou-se inovador, nomeadamente na utilização de cor, de som, de efeitos especiais e no desenvolvimento da narrativa cinematográfica, cujo melhor exemplo é La Fée Aux Choux (1896), considerado o primeiro filme narrativo da história do cinema. Em 1906, Alice realiza dois outros marcos da sua carreira: La Vie du Christ, a sua primeira longa-metragem e um dos grandes blockbusters da época do cinema mudo, com 25 cenas e cerca de 300 figurantes, e La Fée Printemps, que utiliza efeitos especiais a cores.

Em 1907, Alice casa com Herbert Blaché, que, pouco depois, foi nomeado responsável de produção da Gaumont nos Estados Unidos. Alice acompanha o marido para os Estados Unidos e, após trabalharem juntos na Gaumont norte-americana, o casal decide formar a sua própria empresa: a Solax Company. Sediada em Nova Iorque, a Solax tornar-se-ia no maior estúdio pré-Hollywood e onde Alice continuou o seu trabalho como directora artística, escrevendo e realizando grande parte da produção da empresa.

Em 1922, Alice Guy-Blaché realiza Tarnished Reputations, que viria a ser o seu último filme e dois anos depois divorcia-se, regressando a França. Ai tenta retomar a sua carreira, mas a dificuldade em provar o seu curriculum, já que poucos ou nenhum dos filmes da Gaumont sobreviveram, levam-na a escreve romances a partir de argumentos cinematográficos e a dar palestras sobre cinema. Esquecida durante décadas, Alice Guy-Blaché viu o seu trabalho reconhecido em 1955, quando foi condecorada pelo Governo Francês com a Legião de Honra. Nove anos mais tarde regressa os Estados Unidos para viver com uma das suas filhas, falecendo em 1968.

Com uma carreira de mais de 700 filmes, que abrangeram géneros tão diferentes como o drama, o western e as biografias, o trabalho de Alice Guy-Blaché permitiu o desenvolvimento do cinema, ajudando-o a transformar-se técnica e esteticamente.