Quem é Allen Smithee?

Allen Smithee é um pseudónimo utilizado por realizadores que desejavam ver o seu nome retirado de um filme. O nome, instituído pela Associação de Realizadores da América (Director Guild of America – DGA), apenas podia ser utilizado quando o realizador conseguia provar, perante a DGA, de que que tinha perdido o controlo criativo do filme, muitas vezes devido à interferência dos produtores. O realizador era obrigado a manter a razão da discórdia em segredo e a utilização do pseudónimo não podia ser utilizado para esconder falhanços comerciais de um filme.

O nome foi utilizado pela primeira vez no filme A Morte de um Pistoleiro (1969), cujo primeiro realizador (Robert Totten) foi substituído por Don Siegel. Ambos os realizadores ficaram insatisfeitos com o resultado final e nem um nem outro quis o seu nome associado ao filme. O primeiro nome proposto para constar na ficha técnica foi Al Smith, mas já existia um realizador registado na DGA com esse nome, tendo sido decidido o nome Allen Smithee. Curiosamente, o filme revelou-se um sucesso, incluindo junto dos críticos que elogiaram o trabalho de Allen Smithee.

Em 1997, Joe Eszterhas pegou no nome e escreveu o filme An Allen Smithee Film, que conta a história de um realizador desiludido com um filme e procura retirar o seu nome da ficha técnica, mas não consegue porque o seu nome é… Allen Smithee. O filme revelou-se um verdadeiro fiasco e a má publicidade associada (ajudada pelo facto de o realizador Arthur Hiller ter o utilizado o pseudónimo Allen Smithee) levou a DGA a terminar a utilização do nome. A partir de então a Associação decide caso a caso o pseudónimo a utilizar, como foi o caso do filme Supernova (2000), em que o realizador Walter Hill utilizou o pseudónimo Thomas Lee.

Inimigo Público n.º 1 (1934)

1934 foi um excelente ano para Clark Gable, graças ao sucesso dos seus cinco filmes estreados nesse ano. Se Uma Noite Aconteceu foi o filme de maior sucesso e lhe valeu o Óscar de melhor interpretação masculina, já Inimigo Público n.º 1, também um dos sucessos comerciais desse ano, ajudou a solidificar o estatuto do actor. Um regresso em grande à Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), que o tinha emprestado à “menor” Columbia Pictures.

Produto da Cosmopolitan Productions (empresa que o magnata W.R. Hearst fundou para produzir os filmes da sua amante, a actriz Marion Davies) Inimigo Público n.º 1 foi produzido de forma rápida e com um orçamento modesto, visando unicamente o lucro. O seu sucesso surpreendeu os próprios responsáveis e transformou William Powell e Myrna Loy em estrelas de Hollywood. De tal forma, que a MGM voltou a reunir o casal no filme O Homem Sombra, que se tornaria numa série de grande sucesso e que fez com que o casal trabalha-se junto num total de 14 filmes ao longo das suas carreiras.

Para conseguir a rapidez e eficácia pretendida, a MGM optou pelo experiente W.S. Van Dyke (Esquimó) para realizar o filme, que contou com a colaboração de Joseph L. Mankiewicz na escrita do argumento. Embora o filme tenha ganho o Óscar de melhor história original, o seu argumento é bastante inconsistente e são notórias as diferenças entre as cenas escritas por Mankiewicz e as dos restantes argumentistas. A fraca qualidade do argumento sente-se, essencialmente na personagem interpretada por Myrna Loy, que pouco sentido faz. A incongruência do filme levou a MGM a pedir cenas adicionais para melhorar o filme, mas como Van Dyke já estava a trabalhar no seu filme seguinte (precisamente O Homem Sombra), coube a George Cukor (Quatro Irmãs) realizar as novas cenas, num trabalho não creditado.

Como era hábito na época, a produção de Inimigo Público n.º 1 foi acompanhada de perto pela Motion Picture Producers and Distributors of America (MPPDA) e muito embora a troca de correspondência entre Will H. Hays e o estúdio, o filme foi exibido sem grandes cortes e conseguiu, inclusive, obter um “selo de pureza”, aquando da sua redistribuição em 1937.

Estreado a 2 de Maio de 1934 nos Estados Unidos, Inimigo Público n.º 1 foi um enorme sucesso de bilheteira, que rendeu bom dinheiro à MGM. A sua fama foi ainda maior por ter sido o filme que o criminoso John Dillinger acabara de assistir, quando, em 1934, foi morto a tiro à porta de um cinema, pelo FBI.

O sucesso de Inimigo Público n.º 1 levou a MGM a recuperar a história em 1942, para um remake passado na fronteira canadiana, interpretado por John Carradine e John Craig, intitulado Northwest Rangers.

Manhattan Melodrama
Metro-Goldwyn-Mayer. Estados Unidos, 1934, 91 min., drama
Realizador: W.S. Van Dyke. Argumento: Oliver H.P. Garrett e Joseph L. Mankiewicz, baseado na história de Arthur Caesar. Actores: Clark Gable, William Powell, Myrna Loy, Leo Carrillo, Nat Pendelton, Estreia em Portugall: 12 de fevereiro 1935

Dois amigos de infância, ambos órfãos, têm destinos diferentes enquanto adultos, que os colocam em lados opostos da lei.

A Viuva Alegre (1934)

A Viúva Alegre é uma adaptação cinematográfica da ópera Die Lustige Witwe (A Viúva Alegre) de Franz Lehár, estreada em Viena em Dezembro de 1907. A ópera revelou-se um sucesso logo na estreia e a sua popularidade atravessou fronteiras, com inúmeras produções piratas, que tornaram os direitos da obra um verdadeiro imbróglio legal.

O sucesso da ópera chamou, naturalmente, a atenção de Hollywood e a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) adquiriu os seus direitos cinematográficos em 1923, tendo produzido uma extravagante versão muda em 1925, realizada por Erich von Stroheim. Com o advento do cinema sonoro, a MGM viu com bons olhos uma versão musical da obra de Lehár, mas o tribunal decidiu que o estúdio não detinha os direitos cinematográficos da obra para produzir uma versão sonora: a justificação do tribunal foi que os filmes sonoros não eram obras cinematográficas! A MGM decidiu, então, comprar novamente os direitos a Lehár, onde se incluíam a música original de Ludwing Doblinger, que era diferente da música que acompanhava as versões Inglesa e Americana da ópera. Devido a processos judiciais anteriores, referentes à versão de 1925, e pelo facto de Stroheim reclamar a autoria de aspectos específicos do argumento dessa versão, a MGM decidiu adiar a produção da versão sonora de A Viúva Alegre.

Quando as questões legais ficaram resolvidas, a MGM avançou, então, para a produção do filme, com Ernst Lubitsch como realizador. Para protagonistas, o estúdio escolheu Maurice Chevalier e Jeanette MacDonald, estrelas da rival Paramount Pictures e que foram aliciadas pela MGM precisamente com a produção de A Viúva Alegre. Ao contrário de Jeanette MacDonald, Chevalier era uma estrela internacional e não pretendia voltar a contracenar com a actriz com quem tinha trabalhado três vezes na Paramount. O seu desejo era contracenar com Grace Moore, uma famosa cantora de ópera, cuja primeira tentativa como actriz em Hollywood se revelou um verdadeiro fracasso e tentava um regresso em grande à MGM. Moore acabou por assinar contracto com a Columbia Pictures, onde protagonizou o projecto rival Uma Noite de Amor e, assim, Jeanette MacDonald voltou a contracenar ao lado de Chevalier. Embora a animosidade existente entre ambos, as suas interpretações são excelentes, muito devido ao trabalho de Ernst Lubitsch, que dá o seu toque pessoal ao filme e o torna num vivo e sofisticado musical.

A reacção a A Viúva Alegre foi inicialmente boa, com os críticos a gostarem do filme e a ser galardoado com o Óscar de melhor direcção de arte. No entanto, o filme pareceu antiquado aos olhos do público, fascinado pelos musicais da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers e pelos espectáculos de Busby Berkeley, e nem o mercado europeu conseguiu fazer com que a MGM recuperasse o seu investimento de um milhão e seiscentos mil dólares.

Como era prática corrente na época, a MGM produziu diversas versões de A Viúva Alegre, mais concretamente para os mercados Norte-americano, Inglês, Belga e Francês. As diversas versões pouco diferem entre si, sendo apenas realçadas ou omitidas as críticas à monarquia, de acordo com o respectivo mercado. A versão francesa, intitulada La Veuve Joyeuse encontra-se perdida.

Em 1952, a MGM volta a produzir uma nova versão de A Viúva Alegre, em Technicolor e com Fernando Lamas e Lana Turner como protagonistas. Esta versão, ao contrário da de 1934, foi mal recebida pela crítica, mas foi um sucesso de bilheteira. Para não ser confundida com esta última versão, A Viúva Alegre, de Ernst Lubitsch, foi renomeada, aquando da sua estreia na televisão americana, para The Lady Dances.

The Merry Widow
Metro-Goldwyn-Mayer. Estados Unidos, 1934, 99 min., musical
Realizador: Ernst Lubitsch. Argumento: Ernest Vajda e Samson Raphaelson. Actores: Maurice Chevalier, Jeanette MacDonald, Edward Everett Horton, Una Merkel, George Barbier

O Conde de um pequeno reino europeu corteja uma viúva com o objectivo de manter o seu dinheiro no país.