Anna Karenina

Poster do filme Anna Karenina, de 1935, com Greta GarboAnne Karenina
Metro-Goldwyn-Mayer
EUA, 1935, 95m, drama
Realizador: Clarence Brown
Argumento: Clemence Dane, Salka Viertel e S.N. Behrman; baseado no romance de Leo Tolstoy
Actores: Greta Garbo, Fredric March, Freddie Bartholomew, Maureen O’Sullivan, May Robson, Basil Rathbone, Reginald Owen

A Condessa Anna Karenina, casada e com um filho, apaixona-se por um militar e os dois vivem uma paixão condenada pela sociedade russa do final do século XIX.

O trágico romance do escritor russo Leo Tolstoy, é uma das histórias mais vezes adaptada ao grande ecrã. Esta versão de 1935 tem como ponto central a actriz Greta Garbo, não só porque tem uma das suas mais fortes interpretações, mas também porque foi graças à sua vontade que a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) avançou para a produção do filme.

O interesse da actriz começou em 1927, quando protagonizou o filme Love, também baseado no romance do autor russo. Muito embora o seu sucesso junto do público, ao qual não foi alheio o facto de Garbo contracenar com o seu marido da altura, John Gilbert, Love não deixou a actriz satisfeita já que a MGM insistiu num final feliz, contrariando a história original. Ao longo da década de 30, Garbo manteve o interesse em protagonizar uma nova versão de Anna Karenina e aproveitou o facto de, na época, estarem na moda a adaptação de grandes romances por parte dos grandes estúdios de Hollywood, e propôs a produção de uma nova versão ao produtor David O. Selznick, um dos homens fortes da MGM.

Selznick não achou a ideia da actriz muito interessante e propôs-lhe que interpretasse dramas contemporâneos mais leves e até comédias. Nesse sentido, Selznick propôs a Garbo participar em Dark Victory, uma drama contemporâneo, muito semelhante à tragédia de Tolstoy, e que a actriz achou interessante. O projecto, com George Cukor como realizador, não avançou e Garbo sugeriu dois dramas de época para os seus projectos seguintes: Joan of Arc e a adaptação da obra de Oscar Wilde The Picture of Dorian Gray. Selznick e a MGM reconsideraram Anna Karenina e, relutantemente, avançaram para a produção de nova versão da obra de Tolstoy, para agrado da actriz, que finalmente tinha a oportunidade de “contar” a história correctamente.

Anna Karenina é uma luxuosa produção, típica da MGM desta época, e que junta Garbo e Clarence Brown, realizador com que viria a colaborar num total de sete filmes. Brown adorou trabalhar com Garbo desde a primeira hora e o seu fascínio pela actriz era imenso: o realizador sob compreender a personalidade tímida de Garbo e o seu estilo de realização (sussurrando o que pretendia) permitiu que à actriz um desempenho magnifico.

Para contracenar ao lado de Garbo, Selznick contratou Basil Rathbone (As Aventuras de Robin Hood) e Frederic Marc, para os papéis de marido e amante, respectivamente, de Anna Karenina. March era um conhecido mulherengo e não deixou de tentar conquistar uma desinteressada Garbo. Esta, sabendo que os dois teriam de interpretar alguns momentos mais íntimos em frente da câmara, decidiu mastigar cabeças de alho antes dessas cenas e assim conseguiu afastar as investidas do seu colega.

A timidez de Greta Garbo, e o seu conhecido afastamento das luzes da ribalta, afectaram outro actor do filme: Freddie Bartholomew, o pequeno actor de 11 anos que interpreta o papel de filho de Karenina. Os dois tornaram-se grandes amigos, brincando e partilhando histórias no intervalo das filmagens e o seu relacionamento era de tal forma intenso que Bartholomew via Garbo como uma segunda mãe. No entanto, a criança sentiu na pele a difícil personalidade da actriz, quando um dia lhe pediu um autógrafo, para um dos seus tios, e Garbo lhe virou a costas, nunca mais lhe voltando a falar (à excepção das cenas em que contracenavam juntos). O episódio marcou de tal forma Bartholomew, que o assombrou até à sua morte.

Com um custo final de pouco mais de 1 milhão de dólares, Anna Karenina teve a sua estreia em Nova Iorque em Agosto de 1935. A opinião dos críticos dividiu-se (o filme apenas recebeu dois prémios: o de melhor interpretação para Garbo, da Associação de Críticos de Nova Iorque e o de melhor filme estrangeiro no Festival de Veneza) e muito embora tenha sido rentável, graças às receitas fora dos Estados Unidos, Anna Karenina parecia provar que Selznick tinha razão e Garbo deveria apostar em dramas contemporâneos. De facto, só com Ninotchka, quatro anos mais tarde, é que a actriz viria a reconquistar totalmente o público e a crítica. No entanto, Anna Karenina, não deixa de ser uma excelente recriação do romance de Tolstoy e um bom drama onde Garbo mostra todas as suas qualidades de actriz e que fazem dela uma verdadeira estrela do cinema.

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