Nanook of the North
Nanook of the North
Les Frères Revillon, Pathé Exchange
Estados Unidos / França, 1922, 79m, documentário
Realizador: Robert J. Flaherty
Argumento: Robert J. Flaherty, baseado numa ideia de Frances H. Flaherty
Relato do dia-á-dia de uma família de esquimós, na sua luta de sobrevivência contra a natureza.
Nanook of the North fica para a história como o primeiro documentário de longa-metragem da sétima arte, estabelecendo regras num campo até então virgem. No entanto, este desbravar de terreno levantou criticas, que ainda hoje originam algumas discussões. Grande parte dessas críticas dizem respeito à forma como Flaherty filmou a realidade, encenando e alterando factos como o nome do “protagonista” (cujo nome verdadeiro era Allakariallak), o facto de a “mulher” de Nanook não ser a sua mulher verdadeira e de Allakariallak utilizar, no filme, a forma de caçar dos seus antepassados, quando já nessa altura utilizava uma pistola. Em sua defesa, Flaherty confessou que por vezes um realizador tem de alterar as coisas de forma a captar o seu verdadeiro espírito e, muito embora estas controvêrcias, a verdade é que, na altura, não existiam convenções para filmar documantários e o equipamento que o realizador tinha à sua disposição era bastante pesado e não permitia a mobilidade que um documentário exige.
Flaherty decidiu documentar as aventuras do caçador Inuit após as suas anteriores filmagens no Árctico terem sido queimadas acidentalmente e com o financiamento de uma empresa de peles francesa rodou o filme no Árctico Canadiano entre Agosto de 1920 e Agosto do ano seguinte. O relato da luta de uma família pela sua sobrevivência, tendo como cenário uma cultura exótica e diferente do que até então os espectadores estavam habituados, fez com que Nanook of the North fosse um sucesso de bilheteira.
Relato das filmagens de Nanook of the North pelo próprio realizador, em 1922: How I Filmed Nanook of the North
