Esplendor na Relva
Splendor in the Grass
Warner Bros.
EUA, 1961, 124m, drama
Realizador: Elia Kazan
Argumento: William Inge
Actores: Natalie Wood, Warren Beatty, Audrey Christie, Barbara Loden, Jan Norris, Joanna Roos, Martine Bartlett, Sandy Dennis
No final da década de 20, o amor de um jovem casal de namorados é posto à prova perante a pressão das famílias e da sociedade da pequena cidade onde vivem. Quando se dá a queda da bolsa em 1929, a vida das duas famílias e a dos dois jovens altera-se por completo.
Produzido numa época de mudança (quer da industria cinematográfica, quer da sociedade norte-americana), Esplendor na Relva é um olhar sobre a intensidade do primeiro amor e a repressão sexual imposta pela sociedade. O escritor e argumentista William Inge (Paragem de Autocarro), baseou-se em pessoas que conheceu durante a sua adolescência na cidade do Kansas, durante a década de 20, para a história de Deanie e Bud e contou a sua ideia ao realizador Elia Kazan. Na altura os dois estavam a trabalhar em conjunto na peça de Inge The Dark at the Top of the Stairs e o realizador mostrou-se, desde logo, interessado na ideia. Inge começou, então, a trabalhar a história: primeiro em formato de romance, posteriormente em argumento.
Quando se iniciou o casting do filme, Inge lembrou-se de um jovem actor que seria perfeito para interpretar o personagem principal: Warren Beaty. Os dois conheceram-se na fracassada peça A Loss of Roses, mas a relação perdurou e os dois tornaram-se amigos. De início, a sugestão de Inge não foi bem recebida por Kasan, que não gostou da arrogância do actor, mas posteriormente viu nele presença e talento suficiente para lhe entregar o papel principal. Esplendor na Relva marcou, assim, a estreia de Beaty no grande ecrã e fez dele uma das grandes estrelas de Hollywood.
A escolha de Natalie Wood foi uma imposição da Warner que tinha a actriz sob contracto e cujos últimos filmes não tinham tido o êxito esperado. Embora tive apenas 22 anos de idade quando participou em Esplendor na Relva, Wood era já uma veterana de Hollywood, tendo começado a sua carreira com apenas 5 anos e conseguido fazer a transição para papeis mais adultos com sucesso. Com este “curriculum“, Kazan pensou que Wood era uma menina mimada, mas quando se reuniu pela primeira vez com a actriz, o realizador viu na sua fragilidade e volatilidade os requisitos necessários para o papel. Wood estava também interessada em participar no filme, a tal ponto de ter concordado fazer uma cena de nu: a primeira feita por uma estrela em Hollywood. No entanto Jack Warner (o chefe do estúdio) não gostou e a cena foi excluída do filme.
Os dois actores entregaram-se tão intensamente os seus personagens que a sua relação extravasou a vertente profissional e os dois viveram um tórrido romance durante as filmagens. Embora Natalie Wood fosse casada e Warren Beaty vivesse com outra actriz, a relação foi encorajada por Kasan que viu no romance uma boa oportunidade para melhorar as cenas de amor do filme. Quando este estreou, em Outubro de 1961, os dois actores ja tinham abandonado os seus anteriores relacionamentos e viviam juntos.
A visão negra e intensa de um tema tão escaldante e próximo do público fez de Esplendor na Relva um sucesso, não só de público como de crítica, com esta a aclamar as interpretações dos dois actores principais. O filme foi nomeado para dois Óscares (melhor actriz e melhor argumento), com o trabalho de Inge a ser galardoado com a única estatueta ganha pelo filme.
