O Filho de Frankenstein
Son of Frankenstein
Universal Pictures
EUA, 1939, 99m, terror
Realização: Rowland V. Lee
Argumento: Wyllis Cooper, baseado no livro de Mary Shelley
Actores: Boris Karloff, Bela Lugosi, Basil Rathbone, Lionel Atwill, Josephine Hutchinson, Donnie Dunagan
O filho do falecido Dr. Frankenstein decide “limpar” o nome do pai, mas descobre que a criatura que este criou está viva.
Ao terceiro filme, a criatura criada pelo Dr. Frankenstein torna-se o protagonista da história, mas a série começa a esgotar-se. Um dos melhores exemplos disso mesmo é o facto de a Universal ter esquecido elementos dos filmes anteriores e acrescentado novos que retiram consistência à série. Um desses elementos é o facto de o Dr. Frankenstein ter tido um assistente (Ygor), que surge milagrosamente em O Filho de Frankenstein e um filho aquem encoraja a continuar o seu trabalho. Mas a maior diferença em relação ao filme anterior é o facto de a criatura ter perdido novamente a possibilidade de falar e ser uma marioneta nas mãos de Ygor. Com esta “desumanização”, a criatura volta a perder os elementos que a aproximavam do público e fazem com que a interpretação de Karloff não tenha a força das anteriores.
Muito embora as suas diferenças e fraquezas, O Filho de Frankenstein revitalizou um género que tinha entretanto adormecido e foi o primeiro filme de terror a sair da Universal desde 1936, ano em que estreou Dracula’s Daughter. Originalmente pensado para ser filmado a cores, O Filho de Frankenstein acabou por ser filmado a preto e branco, porque a máscara do monstro que Karloff usava não fotografava bem a cores (a máscara tinha um horrível tom verde, como é testemunhado pelas imagens amadoras filmadas pela esposa de Karloff durante os testes e que se tornaram items de colecção). A decisão parece ter sido acertada, já que o desenho de produção e o ambiente do filme, carregado de sombras e remanescente do expressionismo alemão, é motivo suficiente para se ver O Filho de Frankenstein.
Já sem a presença de James Whale, o realizador dos dois primeiros filmes, O Filho de Frankenstein ficou entregue a Rowland V. Lee, que utiliza os diversos elementos ao seu dispor de uma forma calma e sem nunca apressar a história (com cerca de 100 minutos de duração, O Filho de Frankenstein é o filme mais longo da série). No que diz respeito ao casting, o único actor que regressa é Boris Karloff, até porque a sua personagem é a única que resta dos filmes anteriores. Basil Rathbone (Anna Karenina) é uma excelente escolha para o filho do Dr. Frankenstein, embora o plano inicial da Universal era o de que a personagem fosse interpretada por Peter Lorre (M – Matou). Outra escolha inspirada foi a de Bela Lugosi para interpretar Ygor, o assistente do Dr. Frankenstein que sobrevive milagrosamente a um enforcamento. Lugosi participa finalmente na série após as tentativas frustradas nos filmes anteriores, mas inicialmente o seu papel era bem menor. Aliás, a personagem de Ygor nem sequer surgia numa das primeiras versões do argumento e só a intervenção do realizador Lee, revoltado por o estúdio aproveitar o desespero do actor em querer trabalhar e pagar-lhe uns miseros $500 dólares por semana, permitiu que o personagem cressesse e o actor fosse melhor remunerado. Embora Ygor morra no final do filme, a interpretação de Lugosi foi tão memorável que o actor voltaria a encarnar a persongem no 4º filme da série (O Fantasma de Frankenstein), em 1942.
Embora já não tenha a qualidade e a “frescura” dos filmes anteriores, O Filho de Frankenstein não deixa de ser um bom filme de terror. De tal forma, que permitiu revitalizar um género que se encontrava moribundo. No entanto, a série mostra já sinais de desgaste e Boris Karloff apercebe-se disso mesmo: após O Filho de Frankenstein, o actor não voltaria a interpretar a personagem, afirmando que esta tinha chegado aos seus limites e que não havia mais possibilidades de a desenvolver. Karloff regressaria, no entanto, ao tema quando, em 1958, participou em Frankenstein 1970, da 20th Century Fox, interpretando, não o monstro, mas o seu criador.
Este texto faz parte da série dedicada aos filmes produzidos pela Universal Pictures durante a década de 30 e 40, que têm o monstro criado pela escritora Mary Shelley como protagonista. Os restantes filmes são Frankenstein (1931), A Noiva de Frankenstein (1935), O Fantasma de Frankenstein (1942), Frankenstein Meets the Wolf Man (1943).
