A Alegre Divorciada (1934)

O sucesso da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers, em Voando para o Rio de Janeiro levou a RKO a apostar novamente na dupla. Para tal, optou por adaptar o musical da Broadway “Gay Divorce“, protagonizado por Astaire, que também adaptou as suas próprias coreografias para o filme. No entanto, A Alegre Divorciada quase não se concretizava, já que Astaire tinha reservas quanto à sua parceria com Rogers. Por um lado, o actor não pretendia ficar “preso” a uma nova dupla cinematográfica, pouco tempo depois de ter terminado a colaboração com a sua irmã Adele. Por outro lado, Astaire considerava que Rogers não era a actriz ideal para interpretar uma personagem inglesa. No entanto, Astaire acabou por aceitar a parceria, após o estúdio lhe ter prometido 10% dos lucros do filme.

Típica “guerra de sexos”, com espantosos números musicais e cómicas situações de engano, A Alegre Divorciada é considerado um dos melhores musicais da época da Grande Depressão, tendo alterado o género. Anteriormente, as histórias dos musicais centravam-se nos bastidores do mundo teatral e, mais concretamente, nas coristas. Estas eram retratadas como mulheres de fama duvidosa, cujas atitudes roçavam a prostituição. A Alegre Divorciada alterou esse retracto, já que recria um mundo de fantasia, onde apenas importava o amor (as personagens raramente tinham um emprego!).

A Alegre Divorciada foi alvo de censura da Motion Pictures Producwers and Distributors of America (MPPDA), cuja principal preocupação foi o título da peça original (“Alegre Divórcio”). Como justificação para a alteração do título, a MPPDA argumentou que um processo de divórcio não pode ser um acontecimento feliz, mas uma pessoa que passa por esse processo já o pode ser!

Não foi surpresa o facto de A Alegre Divorciada ter sido um sucesso e conseguido diversas nomeações aos Óscares. As nomeações e o facto de ter ganho o Óscar da, então, nova categoria para melhor canção, em directa competição com a canção “Carioca” de Voando para o Rio de Janeiro, revelam a sua qualidade. Como forma de publicitar o filme, a RKO organizou diversas demonstrações e festas para divulgar os passos de dança do número “Continental”, mas a moda nunca pegou. No entanto, A Alegre Divorciada acabou por iniciar uma outra moda, já que as vendas de persianas venezianas dispararam aquando da estreia do filme.

The Gay Divorcee
RKO Radio Pictures. Estados Unidos, 1934, 105 min., musical
Realizador: Mark Sandrich. Argumento: George Marion Jr., Dorothy Yost, Edward Kaufman, baseado na peça “Gay Divorce” de Dwight Taylor, Kenneth S. Webb, Samuel Hoffenstein. Actores: Fred Astaire, Ginger Rogers, Alice Brady, Edward Everett Horton, Erik Rhodes

Um popular dançarino americano tenta conquistar uma mulher em processo de divórcio.

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