A Viuva Alegre (1934)

A Viúva Alegre é uma adaptação cinematográfica da ópera Die Lustige Witwe (A Viúva Alegre) de Franz Lehár, estreada em Viena em Dezembro de 1907. A ópera revelou-se um sucesso logo na estreia e a sua popularidade atravessou fronteiras, com inúmeras produções piratas, que tornaram os direitos da obra um verdadeiro imbróglio legal.

O sucesso da ópera chamou, naturalmente, a atenção de Hollywood e a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) adquiriu os seus direitos cinematográficos em 1923, tendo produzido uma extravagante versão muda em 1925, realizada por Erich von Stroheim. Com o advento do cinema sonoro, a MGM viu com bons olhos uma versão musical da obra de Lehár, mas o tribunal decidiu que o estúdio não detinha os direitos cinematográficos da obra para produzir uma versão sonora: a justificação do tribunal foi que os filmes sonoros não eram obras cinematográficas! A MGM decidiu, então, comprar novamente os direitos a Lehár, onde se incluíam a música original de Ludwing Doblinger, que era diferente da música que acompanhava as versões Inglesa e Americana da ópera. Devido a processos judiciais anteriores, referentes à versão de 1925, e pelo facto de Stroheim reclamar a autoria de aspectos específicos do argumento dessa versão, a MGM decidiu adiar a produção da versão sonora de A Viúva Alegre.

Quando as questões legais ficaram resolvidas, a MGM avançou, então, para a produção do filme, com Ernst Lubitsch como realizador. Para protagonistas, o estúdio escolheu Maurice Chevalier e Jeanette MacDonald, estrelas da rival Paramount Pictures e que foram aliciadas pela MGM precisamente com a produção de A Viúva Alegre. Ao contrário de Jeanette MacDonald, Chevalier era uma estrela internacional e não pretendia voltar a contracenar com a actriz com quem tinha trabalhado três vezes na Paramount. O seu desejo era contracenar com Grace Moore, uma famosa cantora de ópera, cuja primeira tentativa como actriz em Hollywood se revelou um verdadeiro fracasso e tentava um regresso em grande à MGM. Moore acabou por assinar contracto com a Columbia Pictures, onde protagonizou o projecto rival Uma Noite de Amor e, assim, Jeanette MacDonald voltou a contracenar ao lado de Chevalier. Embora a animosidade existente entre ambos, as suas interpretações são excelentes, muito devido ao trabalho de Ernst Lubitsch, que dá o seu toque pessoal ao filme e o torna num vivo e sofisticado musical.

A reacção a A Viúva Alegre foi inicialmente boa, com os críticos a gostarem do filme e a ser galardoado com o Óscar de melhor direcção de arte. No entanto, o filme pareceu antiquado aos olhos do público, fascinado pelos musicais da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers e pelos espectáculos de Busby Berkeley, e nem o mercado europeu conseguiu fazer com que a MGM recuperasse o seu investimento de um milhão e seiscentos mil dólares.

Como era prática corrente na época, a MGM produziu diversas versões de A Viúva Alegre, mais concretamente para os mercados Norte-americano, Inglês, Belga e Francês. As diversas versões pouco diferem entre si, sendo apenas realçadas ou omitidas as críticas à monarquia, de acordo com o respectivo mercado. A versão francesa, intitulada La Veuve Joyeuse encontra-se perdida.

Em 1952, a MGM volta a produzir uma nova versão de A Viúva Alegre, em Technicolor e com Fernando Lamas e Lana Turner como protagonistas. Esta versão, ao contrário da de 1934, foi mal recebida pela crítica, mas foi um sucesso de bilheteira. Para não ser confundida com esta última versão, A Viúva Alegre, de Ernst Lubitsch, foi renomeada, aquando da sua estreia na televisão americana, para The Lady Dances.

The Merry Widow
Metro-Goldwyn-Mayer. Estados Unidos, 1934, 99 min., musical
Realizador: Ernst Lubitsch. Argumento: Ernest Vajda e Samson Raphaelson. Actores: Maurice Chevalier, Jeanette MacDonald, Edward Everett Horton, Una Merkel, George Barbier

O Conde de um pequeno reino europeu corteja uma viúva com o objectivo de manter o seu dinheiro no país.