As Diabólicas (1955)

Thriller intenso que é, hoje, um marco do género. Com um argumento inteligente e uma realização eficazmente discreta, Clouzot constrói um ambiente tenso e conta-nos a história de uma forma fria e arrepiante.

O filme vive essencialmente de detalhes, quer na construção do ambiente, quer a nível dos personagens e as interpretações de Vera Clouzot e Simone Signoret dão-lhes uma dimensão única. A magnifica fotografia a preto e branco é perfeita para o ambiente do filme e potência os seus vários elementos, contribuindo para a atmosfera intensa do filme.

As Diabólicas começa de uma forma lenta e introduz-nos a história e os personagens de uma forma inteligente e subtil, construindo a sua tensão lentamente até ao surpreendente final. Infelizmente, o filme é vitima do seu próprio sucesso e o final do filme perde o seu impacto, nos dias de hoje, devido ao facto de ter sido tantas vezes copiado. No entanto, As Diabólicas não deixa de ser um magnifico exemplo de film noir e da frescura cinematográfica francesa. Involuntariamente, o remake, produzido por Hollywood em 1996 e interpretado por Sharon Stone, prova isso mesmo e o seu único mérito é o nos fazer apreciar ainda mais o original.


Les Diaboliques
Cinedis. França, 1955, 114m, thriller. Realizador: Henri-Georges Clouzot. Argumento: Henri-Georges Clouzot, Jérôme Géronimi, Frédéric Grendel, René Masson; baseado no livro Celle qui n’etait Plus, de Pierre Boileau e Thomas Narcejac. Actores: Simone Signoret, Véra Clouzot, Paul Meurisse, Charles Vanel, Jean Brochard, Pierre Larquey, Michel Serrault

Duas professoras que partilham o mesmo homem decidem elaborar um plano para o matar.