Sciuscià (1946)

Primeiro filme da trilogia neo-realista de Vittorio De Sica (os restantes filmes são Ladrões de Bicicletas e Umberto D.), Sciuscià é um relato da decadência social provocado pelo período fascista de Mussolini, na Itália do pós II Guerra Mundial. A realidade dos meninos de rua (o tema central do filme) é perfeita para os princípios do neo-realismo e De Sica utiliza-os para construir um retrato cru e realista, completamente oposto ao cinema de Hollywood, que, à época, invadia o país.

Sciuscià tem por base mais uma colaboração entre o realizador e Cesare Zavattini, um dos mentores do neo-realismo italiano, tendo contado com a interpretação de actores não-profissionais. Sem o esplendor de Ladrões de Bicicletas, também devido ao baixo orçamento, Sciuscià não deixa de ser um excelente filme e um bom exemplo do neo-realismo. Embora tenha sido um fracasso de bilheteira em Itália, o filme foi um sucesso internacional, tendo sido nomeado para o Óscar de melhor argumento e ganho um Óscar especial pela sua qualidade.


Societa Cooperativa Alfa Cinematografica
Itália, 1946, 93 min, drama. Realizador: Vittorio De Sica. Argumento: Cesare Zavattini, Sergio Amidei, Adolfo Franci, Cesare Giulio Viola. Actores: Franco Interlenghi, Rinaldo Smordoni, Annielo Mele, Bruno Ortenzi, Emilio Cigoli

No final da II Guerra Mundial, dois rapazes de rua, que vivem de engraxar os sapatos aos soldados norte-americanos, sonham em ter um cavalo branco.

Quem é Allen Smithee?

Allen Smithee é um pseudónimo utilizado por realizadores que desejavam ver o seu nome retirado de um filme. O nome, instituído pela Associação de Realizadores da América (Director Guild of America – DGA), apenas podia ser utilizado quando o realizador conseguia provar, perante a DGA, de que que tinha perdido o controlo criativo do filme, muitas vezes devido à interferência dos produtores. O realizador era obrigado a manter a razão da discórdia em segredo e a utilização do pseudónimo não podia ser utilizado para esconder falhanços comerciais de um filme.

O nome foi utilizado pela primeira vez no filme A Morte de um Pistoleiro (1969), cujo primeiro realizador (Robert Totten) foi substituído por Don Siegel. Ambos os realizadores ficaram insatisfeitos com o resultado final e nem um nem outro quis o seu nome associado ao filme. O primeiro nome proposto para constar na ficha técnica foi Al Smith, mas já existia um realizador registado na DGA com esse nome, tendo sido decidido o nome Allen Smithee. Curiosamente, o filme revelou-se um sucesso, incluindo junto dos críticos que elogiaram o trabalho de Allen Smithee.

Em 1997, Joe Eszterhas pegou no nome e escreveu o filme An Allen Smithee Film, que conta a história de um realizador desiludido com um filme e procura retirar o seu nome da ficha técnica, mas não consegue porque o seu nome é… Allen Smithee. O filme revelou-se um verdadeiro fiasco e a má publicidade associada (ajudada pelo facto de o realizador Arthur Hiller ter o utilizado o pseudónimo Allen Smithee) levou a DGA a terminar a utilização do nome. A partir de então a Associação decide caso a caso o pseudónimo a utilizar, como foi o caso do filme Supernova (2000), em que o realizador Walter Hill utilizou o pseudónimo Thomas Lee.

Inimigo Público n.º 1 (1934)

1934 foi um excelente ano para Clark Gable, graças ao sucesso dos seus cinco filmes estreados nesse ano. Se Uma Noite Aconteceu foi o filme de maior sucesso e lhe valeu o Óscar de melhor interpretação masculina, já Inimigo Público n.º 1, também um dos sucessos comerciais desse ano, ajudou a solidificar o estatuto do actor. Um regresso em grande à Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), que o tinha emprestado à “menor” Columbia Pictures.

Produto da Cosmopolitan Productions (empresa que o magnata W.R. Hearst fundou para produzir os filmes da sua amante, a actriz Marion Davies) Inimigo Público n.º 1 foi produzido de forma rápida e com um orçamento modesto, visando unicamente o lucro. O seu sucesso surpreendeu os próprios responsáveis e transformou William Powell e Myrna Loy em estrelas de Hollywood. De tal forma, que a MGM voltou a reunir o casal no filme O Homem Sombra, que se tornaria numa série de grande sucesso e que fez com que o casal trabalha-se junto num total de 14 filmes ao longo das suas carreiras.

Para conseguir a rapidez e eficácia pretendida, a MGM optou pelo experiente W.S. Van Dyke (Esquimó) para realizar o filme, que contou com a colaboração de Joseph L. Mankiewicz na escrita do argumento. Embora o filme tenha ganho o Óscar de melhor história original, o seu argumento é bastante inconsistente e são notórias as diferenças entre as cenas escritas por Mankiewicz e as dos restantes argumentistas. A fraca qualidade do argumento sente-se, essencialmente na personagem interpretada por Myrna Loy, que pouco sentido faz. A incongruência do filme levou a MGM a pedir cenas adicionais para melhorar o filme, mas como Van Dyke já estava a trabalhar no seu filme seguinte (precisamente O Homem Sombra), coube a George Cukor (Quatro Irmãs) realizar as novas cenas, num trabalho não creditado.

Como era hábito na época, a produção de Inimigo Público n.º 1 foi acompanhada de perto pela Motion Picture Producers and Distributors of America (MPPDA) e muito embora a troca de correspondência entre Will H. Hays e o estúdio, o filme foi exibido sem grandes cortes e conseguiu, inclusive, obter um “selo de pureza”, aquando da sua redistribuição em 1937.

Estreado a 2 de Maio de 1934 nos Estados Unidos, Inimigo Público n.º 1 foi um enorme sucesso de bilheteira, que rendeu bom dinheiro à MGM. A sua fama foi ainda maior por ter sido o filme que o criminoso John Dillinger acabara de assistir, quando, em 1934, foi morto a tiro à porta de um cinema, pelo FBI.

O sucesso de Inimigo Público n.º 1 levou a MGM a recuperar a história em 1942, para um remake passado na fronteira canadiana, interpretado por John Carradine e John Craig, intitulado Northwest Rangers.

Manhattan Melodrama
Metro-Goldwyn-Mayer. Estados Unidos, 1934, 91 min., drama
Realizador: W.S. Van Dyke. Argumento: Oliver H.P. Garrett e Joseph L. Mankiewicz, baseado na história de Arthur Caesar. Actores: Clark Gable, William Powell, Myrna Loy, Leo Carrillo, Nat Pendelton, Estreia em Portugall: 12 de fevereiro 1935

Dois amigos de infância, ambos órfãos, têm destinos diferentes enquanto adultos, que os colocam em lados opostos da lei.