Umberto D. (1952)

Quatro anos após Ladrões de Bicicletas, e O Milagre de Milão pelo meio, Vittorio de Sica regressa às origens e realiza Umberto D., o capítulo final da sua trilogia neo-realista (o primeiro filme é Sciuscià).

À semelhança dos filmes anteriores, De Sica volta a colaborar com o argumentista, e um dos mentores do movimento italiano, Cesare Zavattini. Com um pequeno orçamento e actores não profissionais, De Sica constrói um verdadeiro retrato da vida comum, abordando temas universais como a pobreza e a indiferença da sociedade perante os idosos mais desprotegidos. Neste cenário, e contrariando um pouco a filosofia neo-realista, De Sica faz de Umberto D. o filme mais emotivo da trilogia e um filme verdadeiramente intemporal.

Considerado por muitos o último grande exemplo do neo-realismo, Umberto D., tal como os restantes filmes da trilogia, foi criticado na sua terra natal pela sua visão negativa da realidade italiana e revelou-se um fracasso de bilheteira. No entanto, o filme foi aclamado internacionalmente, também à semelhança dos filmes anteriores, e ganhou diversos prémios internacionais e uma nomeação para o Óscar de melhor argumento.


Dear Film. Itália, 1952, 89 min, drama. Realizador: Vittorio De Sica. Argumento: Cesare Zavattini, baseado na sua história. Actores: Carlo Battisti, Maria-Pia Casilio, Lina Gennari, Ileana Simova, Elena Rea

Um funcionário do estado reformado, que vive apenas acompanhado do seu cão Flick, tenta arranjar dinheiro para pagar a renda.