A história da 20th Century Fox, no seu 75º aniversário

Thanhouser Company

Empresa cinematográfica criada em 1909 por Edwin Thanhouser, que ganhou fortuna a gerir uma Academia de Teatro em Milwaukee. Decidido a entrar no negócio cinematográfico, Thanhouser adquiriu um antigo ringue de patinagem na cidade de New Rochelle (Nova Iorque), para ai montar o seu estúdio.

Operando fora do domínio da Motion Picture Patents Company (MPPC), de Thomas Edison, a Thanhouser Company cedo se diferenciou pela qualidade das suas produções, distribuindo, uma vez por semana, os seus filmes de uma bobine, em conjunto com os filmes de outros produtores independentes. A produção da empresa era variada, abrangendo dramas históricos, filmes de mistério, terror, fantasias, entre outros temas. A Thanhouser rapidamente ganhou sucesso e os seus filmes eram distribuídos por todo o mundo.

Em 1912, Edwin Thanhouser vende a empresa à Mutual Film Company e no ano seguinte um incêndio destrói o seu estúdio. No entanto, o incidente não fragiliza a empresa, já que são construídos novos e maiores estúdios. Com dezenas de funcionários e uma actividade intensa, a Thanhouser Company torna-se uma importante entidade de New Rochelle, abrindo os seus portões à comunidade, que podiam visitar os estúdios quando não havia filmes em rodagem.

Em 1915, Charles J. Hite, que substituiu Thanhouser na direcção da empresa, morre num acidente de viação e a produção da empresa sofre um revés, agravada pela saída de diversas estrelas do estúdio. A convite da Mutual e com um salário milionário, Edwin Thanhouser assume de novo a direcção da Thanhouser e a empresa regressa aos tempos áureos.

Com uma boa parte dos produtores cinematográficos a fugir da alçada da MPPC e a concentrarem-se na Califórnia, a indústria cinematográfica de Nova Iorque entra em crise. Como consequência, a Thanhouser começa, lentamente, a diminuir a sua produção, até que, no verão de 1917, deixa de existir por completo.

Tal como aconteceu com outras empresas e personalidades ligadas à indústria cinematográfica na época do mudo, a Thanhouser e a sua importância para a história do cinema foi facilmente esquecida. Para tal, também muito contribuiu o facto de apenas uma pequena parte (180) dos mais de 1000 filmes produzidos pela empresa terem sido destruídos pelo próprio Thanhouser, por os considerar pouco valiosos.

Solax Company

Empresa cinematográfica norte americana fundada em 1910 por Alice Guy-Blaché, pelo seu marido Herbert e por George A. Magie, três antigos executivos da produtora francesa Gaumont, que imigraram para os Estados Unidos.

A empresa instalou-se em Nova Iorque, num antigo celeiro que foi transformado num estúdio para a produção de filmes sonoros. No entanto, como o estúdio não estava a ser utilizado a 100%, os responsáveis pela Solax decidiram produzir também filmes mudos.

Alice Guy-Blaché, mãe de dois filhos, era a directora artística da Solax e foi responsável, enquanto produtora, argumentista e realizadora, por grande parte dos filmes que saíram da empresa. Esquecida durante muitos anos, Alice Guy-Blaché é considerada uma das pioneiras da história do cinema, tendo realizado, entre muitos outros filmes, a curta-metragem A Fool and His Money (1912), que se crê ser o primeiro filme com um elenco constituído na sua totalidade por actores negros.

Em 1913, a Solax investe em novas instalações e constrói um moderno estúdio em Fort Lee (Nova Jérsia), considerado o centro cinematográfico norte-americano durante o cinema mudo. As novas instalações foram concebidas para englobarem todas as fases de produção de um filme, incluindo laboratórios para processamento de película, estúdios com tectos de vidro de forma a aproveitar a luz natural, escritórios administrativos, camarins, entre outras características.

O divórcio entre Alice e Herbert Guy-Blaché e o declínio da indústria cinematográfica na costa Este, que se mudou para Hollywood, onde os custos de produção eram mais baratos e cujo bom tempo permitia filmar ao longo de todo o ano, levou ao desaparecimento da Solax Company. O maior estúdio de cinema pré-Hollywood, deixou de operar em 1914.

Galeria de imagens dedicada a Alice Guy-Blaché no Flickr.

Orion Pictures

Produtora norte-americana fundada em 1978 por Arthur B. Krim, Eric Pleskow e Robert S. Benjamin, três ex-executivos da United Artists, que saíram da distribuidora desagradados com a política salarial  da empresa-mãe (Transamerica)  e devido aos astronómicos custos de As Portas do Céu (1980), que praticamente arruinaram a United Artists. Os três executivos, aliados à Warner Bros. e com quem estabeleceram um acordo de distribuição, formaram, então, a Orion Pictures, com o objectivo de financiar produtores independentes. A reputação e experiência dos seus fundadores permitiram à empresa atrair nomes conhecidos como Woody Allen, Barbara Streisand, Francis Ford Coppola, entre outros, criando uma expectativa grande em relação à Orion Pictures.

Em 1982, a empresa, descontente com o seu acordo de distribuição com a Warner, funde-se com a Filmways Pictures (sucessora da American International Pictures), reforça a sua produção cinematográfica e expande as suas actividades, entrando na produção televisiva. Muito embora a sua reestruturação, a produção cinematográfica da Orion revela-se tumultuosa, já que os sucessos de bilheteira são poucos. Como consequência, a empresa atravessa um período financeiramente  instável, amenizado por uma infusão de dinheiro da Metromedia, empresa do bilionário John W. Kluge, um dos homens mais ricos dos Estados Unidos e amigo de Arthur B. Krim.

No final da década de 80, a sorte da Orion muda, graças a sucessos de bilheteira como Platoon – Os Bravos do Pelotão, Exterminador Implacável, Robocop – O Polícia do Futuro e Amadeus. Para além de sucessos de bilheteira,  estes e outros filmes, foram aclamados pela crítica e venceram diversos Óscares, aumentando o prestígio da empresa. Este sucesso levou Kluge a adquirir o controlo da Orion, em 1988, mas os dois anos seguintes revelaram-se maus para a produtora, já que os seus filmes foram, praticamente todos, um falhanço de bilheteira.

Em 1991, a Orion estreia O Silêncio dos Inocentes e Danças com Lobos, dois enormes sucessos de bilheteira e de crítica, mas que não salvam a empresa dos seus problemas financeiros. Nesse mesmo ano, a empresa vende a sua unidade de produção televisiva e projectos cinematográficos, de forma a obter dinheiro para pagar a sua enorme divida. No entanto, estas tentativas não impediram a Orion de pedir o estatuto de protecção de falência e negociar a sua aquisição pela New Line Cinema, uma pequena produtora que conseguira obter sucesso com a série de filmes de terror Pesadelo em Elm Street e com o filme Tartarugas Ninja.

Embora as negociações com a New Line Cinema tenham abortado, o estatuto de protecção de falência permitiu à Orion sobreviver e lançar (com alguma dificuldade) filmes como Robocop 3 – O Fora da Lei, Céu Azul, O Favor, A Face Oculta, entre outros. A maioria dos filmes distribuídos pela Orion neste período eram produções externas à empresa e nenhum se revelou um sucesso capaz de reverter a fortuna da empresa.

Em 1997, a Metromedia vende a Orion Pictures  à Metro-Goldwyn-Mayer, sendo O Último Combatente (1999) o último filme distribuído pela empresa.

A Orion mantêm-se como uma subsidiária da Metro-Goldwyn-Mayer, mas apenas em nome.

Mancunian Film Corporation

Produtora britânica, da zona de Manchester, cuja história começa em 1908, quando James Blakeley compra uma sala de cinema, que na altura mais não era que um espaço com bancos, um projector e um lençol como ecrã. Apercebendo-se do sucesso do negocio das imagens em movimento, Blakeley decidiu vender a sala de cinema e estabelecer uma empresa de aluguer de filmes com os seus dois filhos, James Júnior e John E. Blakeley.

Mostrando visão para o negócio, James Blakeley apostou na distribuição de Tillie’s Punctured Romance, uma longa-metragem (pouco usual na época) em que participava Charlie Chaplin. A comédia revelou-se um sucesso e, em 1927, John E. Blakeley convenceu a família em apostar na produção de filmes. As primeiras produções da Mancunian foram uma série de “musicais silenciosos”, que se revelaram um sucesso e levou John E. Blakeley a produzir uma longa-metragem: Two Little Drummer Boys. Rodado num estúdio de Londres, o filme foi um sucesso, mas o sonho de John E. Blakeley era o de ter um estúdio em Manchester, onde pudesse produzir filmes “do norte para o norte”.

Ao contrário do que aconteceu com outras produtoras britânicas, o advento do som trouxe mais sucesso à Mancunian, com esta a apostar em histórias e produções simples (e baratas). O sucesso continuou durante a II Grande Guerra, com comédias que levantavam a moral de uma população afectada pelo conflito bélico. Após a guerra, em 1947, John E. Blakeley torna-se num dos directores dos estúdios “Film Studios Manchester”, situados numa antiga igreja e conhecidos como “Jollywood”. Com o estúdio, James E. Blakeley conseguia, finalmente, concretizar o seu sonho de produzir filmes para a população trabalhadora do norte do pais e apostando essencialmente em musicais e comédias, Blakeley sabia o que a população gostava e o resultado foi o sucesso continuado das produções da Mancunian.

O ano de 1953 assiste à última produção cinematográfica dos estúdios de Manchester, já que John E. Blakeley, mostrando grande visão, vende o estúdio à BBC, que se torna no primeiro estúdio regional da estação pública de televisão. No entanto, a Mancunian continuou a produzir filmes até meados dos anos 60, voltando a rodar os seus filmes em estúdios de Londres.

Durante 40 anos, a Mancunian Film Corporation produziu mais de 60 filmes, muitos deles “Quota Quickies“, e contribuiu para o renascimento da cultura cinematográfica britânica que se assistiu durante a primeira metade do século XX.