O Apartamento

The Apartment
EUA, 1960, 125m, comédia romantica
Mirisch Company, United Artists
Realizador: Billy Wilder
Argumento: Billy Wilder e I.A.L. Diamond
Actores: Jack Lemmon, Shirley MacLaine, Fred MacMurray, Rat Waltson, Edie Adams, David Lewis, Jack Kruschen.

C. C. Baxter, empregado numa seguradora, empresta o seu apartamento aos seus superiores para as aventuras romanticas destes e assim conseguir subir na hierarquia da empresa. Quando se apaixona pela mesma rapariga que o seu chefe anda a namorar, a vida de Baxter complica-se.

O vencedor do Óscar para o melhor filme de 1960, teve a sua origem numa ideia do realizador Billy Wilder, quando este via Breve Encontro de David Lean, nomeadamente numa das cenas do filme em que um homem empresta o seu apartamento para o encontro secreto de um casal. Segundo Shirley MacLaine, o argumento, da autoria de Wilder e do seu frequente colaborador I.A.L. Diamond, foi escrito durante as filmagens e à actriz apenas foi dado a conhecer as primeiras 40 páginas do argumento aquando do início das filmagens.

O Apartamento é uma denúncia ao corporativismo empresarial americano, sendo povoado por conjunto de personagens amargos e cínicos e até C.C. Baxter (Jack Lemmon) não é tão inocente como parece à primeira vista, uma vez que é cúmplice de situações incestuosas. O que impressiona no filme é a forma como o realizador consegue fazer-nos rir com uma história tão negra. Para isso muito contribuem os excelentes actores que Wilder teve à sua disposição: Jack Lemmon, cuja colaboração com o realizador durou 22 anos e produziu cerca de 7 filmes, faz do desamparado Baxter um personagem credível e simpático; Shirley MacLaine, num papel menos exigente que o de Lemmon, é adorável como Fran Kubelik; Fred MacMurray, actor mais conhecido por interpretar personagens dos filmes da Disney, demonstra que consegue interpretar “maus da fita” e transmite o cinismo e maldade que a sua personagem necessita.

Embora não seja um dos melhores filmes de Billy Wilder, O Apartamento é um bom exemplo da mestria do realizador, balançando entre a farsa e a tristeza, com um conjunto de personagem multidimensionais e uma sátira ao corporativismo americano que, ainda nos dias de hoje, mantêm toda a sua frescura e actualidade.

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