Death of a Gunfighter
Death of a Gunfighter
Universal Pictures
EUA, 1969, 100m, western
Realizador: Allen Smithee (Don Siegel, Robert Totten)
Argumento: Joseph Calvelli, baseado no livro “Patch’s Law” de Lewis B. Patten.
Actores: Richard Widmark, Lena Horne, Carroll O’Connor, Jacqueline Scott, Kent Smith, Darleen Carr, Royal Dano
O sheriff de uma cidade do Texas mata um alcoólico em própria defesa, mas os responsáveis da cidade aproveitam a situação para promover a substituição do sheriff. Este recusa abandonar o lugar e os dois lados entram em conflito.
No final da década de 60, o western era um género em declínio e apenas o tema da decadência do velho oeste conseguia algum sucesso junto do público. É na tentativa de explorar este filão que a Universal Pictures adquire, em 1967, os direitos cinematográficos do livro Patch’s Law, de Lew Patten. Com o argumento a cargo de Joseph Caluelli, e sob o título provisório de Patch, os produtores começaram a escolha do protagonista e após alguns nomes considerados, inclusive os de John Wayne e Clint Eastwood, a opção recaiu sob Richard Widmark, uma das principais estrelas do estúdio, mas também conhecido pelo seu difícil temperamento.
Para realizador, a primeira escolha recaiu em Don Siegel, que tinha trabalhado anteriormente com Widmark sem grandes conflitos, mas o realizador não se mostrou interessado e recomendou o seu amigo Robert Totten, realizador de televisão com larga experiência em westerns. Na sua preparação para Death of a Gunfighter, Totten, que escolheu parte do elenco do filme, foi aconselhado por Siegel em como lidar com Widmark, mas os conselhos terão caído em saco roto, já que a produção do filme teve bastantes problemas, que culminaram na ruptura, ao 25º dia de filmagens, entre Totten e Widmark: este reclamou que o realizador não o “filmava” correctamente e fechou-se no seu camarim clamando pela substituição do realizador. Com milhões de dólares investidos e a insatisfação de uma das suas maiores estrelas, o estúdio virou-se para a única pessoa que considerava poder salvar o filme: Siegel. Depois de muita insistência, incluindo por parte do responsável máximo da Universal (o lendário Lew Wasserman), Siegel aceitou participar no filme, tendo realizado as cenas de abertura e fecho, assim como metade das cenas da versão final.
Quem não gostou muito da situação foi Totten, que recusou ver o seu nome associado ao filme. Toda esta situação deixou Siegel muito desconfortável e este recusou também ser creditado como realizador. Embora a Universal não visse nenhum problema em o filme não ter nenhum realizador, a Associação de Realizadores da América (Director Guild of America – DGA) obrigava a que todos os filmes tivessem um realizador associado. Assim, foi necessário encontrar uma solução para o problema e após um ano de negociações foi decidido colocar um nome falso como realizador do filme: e assim nasceu o pseudónimo Allen Smithee.
Com os problemas resolvidos e suportado por uma grande campanha publicitária, a Universal estreia Death of a Gunfighter a 9 de Maio de 1969. A recepção do filme foi entusiástica, em especial da crítica que elogiou o trabalho do “desconhecido” realizador.
Muito embora a sua grande fama seja a de ser o primeiro filme de Allen Smithee, Death of a Gunfighter não envergonha o género e chega a ser um interessante exercício fílmico. Basta dizer que é o melhor filme de Allen Smithee.
