A história da 20th Century Fox, no seu 75º aniversário

O Fantasma de Frankenstein

The Ghost of Frankenstein
Universal Pictures
Estados Unidos, 1942, 67m, terror
Realizador: Erle C. Kenton
Argumento: Scott Darling, baseado numa história de Eric Taylor
Actores: Lon Chaney Jr., Bela Lugosi, Sir Cedric Hardwicke, Ralph Bellamy, Lionel Arwill

A criatura criada pelo Dr. Frankenstein e o assistente deste (Ygor) estão vivos e fogem para uma cidade remota. Ai, encontram o segundo filho do Dr. Frankenstein, médico, e Ygor convence-o a curar a criatura.

A série de filmes com o monstro criado pelo Dr. Frankenstein tornou-se uma das mais famosas a sair da Universal Pictures e uma das mais rentáveis do estúdio. O Fantasma de Frankenstein continua a exploração do filão, mesmo que as semelhanças com a história original de Mary Shelley sejam já remotas.

O aspecto mais importante deste 4º filme é o facto de a criatura já não ser interpretada pelo actor Boris Karloff, que deu à personagem a dimensão universal que ela ganhou nos três primeiros filmes. Para o substituir, a Universal optou por Leo Chaney Jr., filho da conhecida lenda do cinema mudo Leo Chaney, e que ganhou fama com o filme Wolf Man, de 1941. Mas infelizmente a criatura de Chaney está longe da de Lugosi, não só a nível de interpretação, mas também porque Chaney não tem a estatura de Karloff, logo a criatura não tem a imponência das anteriores. Com uma criatura “menor” quem brilha é Bela Lugosi, que volta a interpretar o papel de Ygor muito embora a personagem tenha morrido no final do filme anterior. É ele a grande estrela do filme já que a sua composição mantém o nível de O Filho de Frankenstein e torna a personagem o motor do filme. O restante casting é assegurado por actores assalariados da Universal, entre eles Sir Cedric Hardwicke (A Corda) e Ralph Bellamy (Com a Verdade Me Enganas), que cumprem em pleno o que lhes é pedido, mas nenhum se sobressai.

Pegando no final do filme anterior, O Fantasma de Frankenstein dá continuidade à história, mas o argumento não faz muito sentido e está cheio de “buracos”. A fraca qualidade da história faz de O Fantasma de Frankenstein um dos mais mal amados da série e com apenas 67 minutos de duração, o mais curto dos 5 filmes, poderia pensar-se que foi produzido de forma barata e apressada. No entanto, e muito embora o facto de a Universal ter reutilizado cenários de outros filmes, o estúdio assegurou-se da qualidade da produção e de que a criatura vivesse situações inéditas (como andar em telhados ou aparecer num tribunal). Outra prova da qualidade que a Universal queria imprimir é o facto de a banda sonora ter sido composta de proposito para o filme e apenas algumas partes musicais foram reutilizadas da banda sonora de Wolf Man.

A qualidade do argumento deixou, realmente, muito a desejar e a curta duração do filme deve-se a isso mesmo, já que muitas cenas tiveram de ser cortadas durante a montagem, de modo a dar uma outra fluidez ao filme. Muito embora a sua menor qualidade, o argumento de O Fantasma de Frankenstein tem uma das maiores surpresas da série: a meio do filme a criatura fica cega e quando fala pela primeira vez é com a voz de… Ygor. Esta reviravolta, aliada à curta duração do filme minimizam os defeitos deste.

Este texto faz parte da série dedicada aos filmes produzidos pela Universal Pictures durante a década de 30 e 40, que têm o monstro criado pela escritora Mary Shelley como protagonista. Os restantes filmes são Frankenstein (1931), A Noiva de Frankenstein (1935), O Filho de Frankenstein (1939), Frankenstein Meets the Wolf Man (1943).