Frankenstein Contra o Homem-Lobo
Frankenstein meets the Wolf Man
Universal Pictures
Estados Unidos, 1943, 74m, terror
Realizador: Roy William Neil
Argumento: Curt Siodmak
Actores: Bela Lugosi, Lon Chaney Jr., Ilona Massey, Patric Knowles, Lionel Atwill, Dennis Hoey
O Homem-Lobo está vivo e com a ajuda de uma cigana, um médico e a única descendente da família Frankenstein tenta morrer de vez, transferindo a sua energia para o monstro de Frankenstein.
Onze anos e quatro filmes após o inicio da série, a Universal Pictures continuava a explorar o filão Frankenstein, mas as semelhanças com a história original de Mary Shelley são muito poucas. Aliás, as incongruências dos diversos filmes, em que as histórias e os personagens, em particular o monstro, são alterados de uma forma arbitrária, tornaram a série desconexa, em que apenas o nome Frankenstein é o elo comum. Frankenstein Meets the Wolf Man não foge à regra.
Realizado pelo inglês Roy William Neil, Frankenstein Meets the Wolf Man marca uma viragem nas histórias de monstros e utiliza uma “táctica” que Hollywood veio a resgatar mais recentemente: o confronto entre dois monstros, protagonistas de filmes diferentes. Lou Chaney Jr. volta a interpretar o Homem-Lobo, personagem que lhe trouxe fama em 1941, e, após os produtores terem abandonado a ideia de Chaney interpretar os dois monstros, Bela Lugosi foi o escolhido para interpretar Frankenstein. Ironicamente, Lugosi interpreta finalmente a personagem que anos antes tinha rejeitado, numa altura em que considerava que uma personagem muda não era digno de si. Embora a escolha faça sentido, já que no filme anterior o monstro adquiriu o cérebro deYgor, personagem precisamente interpretada por Lugosi, a sua interpretação desinspirada revela o quanto o actor não gostava do papel. Para piorar a situação, as cenas em que o monstro fala foram cortadas porque, na antestreia, o público riu-se desalmadamente, já que o monstro voltava a falar depois de ter ficado mudo no filme anterior.
Embora, pela primeira vez, o nome Frankenstein do título se refira ao monstro (Frankenstein é o nome do médico que o criou, embora seja erradamente atribuído ao monstro), este não é o protagonista do filme. Este é o ponto chave de Frankenstein Meets the Wolf Man, que conta a história do Homem-Lobo e que relega o monstro de Mary Shelley para um plano secundário. Esta viragem confirmava que o filão dos monstros, e de Frankenstein em particular, estava a esgotar-se. No entanto, o estúdio continuou a explorar o tema, produzindo House of Frankenstein (1944) e House of Dracula (1945), onde o monstro é apenas mais uma entre outras personagens, e a comédia Bud Abbott and Lou Costello Meet Frankenstein (1948), uma sátira ao género.
O sucesso da série da Universal Pictures tornaram o monstro criado por Mary Shelley um verdadeiro icon mundial e ao longo dos tempos têm sido produzidas diversas versões, entre elas as da Hammer Films, mas que nunca ganharam o reconhecimento das versões dos anos 30 e 40.
Este texto faz parte da série dedicada aos filmes produzidos pela Universal Pictures durante a década de 30 e 40, que têm o monstro criado pela escritora Mary Shelley como protagonista. Os restantes filmes são Frankenstein (1931), A Noiva de Frankenstein (1935), O Filho de Frankenstein (1939), O Fantasma de Frankenstein (1942).
