Lawrence da Arábia
Lawrence of Arabia
Columbia Pictures
Reino Unido, 1962, 222m, aventura
Realizador: David Lean
Argumento: Robert Bolt e Michael Wilson (não não acreditado); baseado no livro “Seven Pillars of Wisdom” de T. E. Lawrence
Actores: Peter, O’Toole, Alec Guinness, Anthony Quinn, Jack Hawkins, Omar Sharif, José Ferrer, Claude Rains, Arthur Kennedy.
Durante a Segunda Grande Guerra, um jovem tenente do exército inglês, estacionado no Norte de Africa, torna-se observador do Principe Feisal e decide ajudar o Príncipe nas suas batalhas.
Após o excelente resultado de A Ponte do Rio Kwai, o produtor Sam Spiegel e o realizador David Lean decidiram continuar a colaboração conjunta e aprofundar o tema central do filme (um homem cujo destino coloca-o perante situações pouco usuais). Numa primeira instância os dois consideraram que a vida do líder indiano Mahatna Ghandi era merecedora de ser levada ao grande ecrã, mas acabaram por abandonar a ideia devido à complexidade da história.
Devido ao seu fascínio pela personagem de T. E. Lawrence, Spiegel virou a sua atenção para o romance autobiográfico Seven Pillars of Wisdom. A história tinha acção suficiente para vários filmes, permitia diferentes pontos de vista e o heroi era fascinante e complexo. O produtor decidiu avançar com a adaptação do livro ao grande ecrã e contratou o novato escritor inglês Robert Bolt para escrever o argumento, tendo sido uma colaboração conjunta entre produtor, realizador e argumentista.
Para interpretar o papel principal, Spiegel considerou Marlon Brando e Albert Finney, mas achou que uma cara pouco conhecida traria outra dimensão ao personagem e, assim, decidiu contratar o desconhecido actor de teatro Peter O’Toole. Embora nascido na Irlanda, O’Toole cresceu no norte de Inglaterra (Leeds) e cedo se virou para a sua grande paixão, o jornalismo. Aos 17 anos descobriu o teatro e frequentou a Royal Academy of Dramatic Arts, ao lado de actores como Richard Harris, Albert Finney e Alan Bates. Após vários anos no teatro Bristol Old Vic, teve a oportunidade de fazer a sua estreia cinematográfica, precisamente com Lawrence da Arabia.
Para “compensar” o facto de a personagem principal ser interpretada por um desconhecido, Spiegel decidiu contratar um conjunto de nomes conhecidos e, assim, conseguiu a participação de actores como Alec Guiness, que entrara em A Ponte do Rio Kwai e tinha interpretado T. E. Lawrence no teatro, Anthony Quinn, Jack Hawkins, José Ferrer e Omar Sharif, o mais conhecido actor árabe e que aqui tem a sua estreia internacional.
A produção de um épico levanta sempre problemas devido à sua dimensão e Lawrence da Arábia não foi excepção. Para o local de filmagens, a escolha recaiu na Jordânia, já que o deserto correspondia na perfeição às descrições de T. E. Lawrence e até os destroços de guerra permaneciam no mesmo local da batalha. No entanto, nem tudo foi perfeito e só o pessoal interesse do Rei Hussein, descendente directo de um dos participantes na revolta liderada por Lawrence, permitiu que as filmagens decorressem em segurança.
A produção montou o seu quartel-general no Porto de Aqaba, um dos locais capturados por Lawrence. A logística revelou-se difícil e o transporte de material foi um verdadeiro quebra-cabeças, já que houve a necessidade de improvisar estradas e utilizar tractores para retirar barcos de transporte que ficaram presos na areia do porto.
As filmagens prolongaram-se por vários meses e nem as altíssimas temperaturas (foi necessário arrefecer os termómetros para não se estragarem) diminuiu o moral da equipa de produção, que via a rodagem como uma verdadeira aventura, ainda para mais no local onde tudo acontecera.
Outro problema enfrentado durante a rodagem teve a ver com o facto de o local de filmagens ter ficado perto de uma tribo que não permitia que as mulheres fossem filmadas ou fotografadas. Como era necessário figurantes femininas (no filme, não existe qualquer personagem feminino com diálogos), a produção teve de contratar mulheres fora da tribo e que não tivessem a mesma religião.
A rodagem do filme não se ficou apenas pela Jordânia e a equipa de produção passou também por Marrocos, onde foi filmada a batalha final e que contou com a participação do exército do pais, Espanha, onde foram filmadas as cenas que abrangem os anos entre 1916 e 1918, e Inglaterra, onde foram rodadas as cenas interiores.
Filmado no espectacular formato de Super Panavision 70mm Scope, Lawrence da Arábia custou 12 milhões de dólares e estreou, nos Estados Unidos, em 1962. A duração inicial do filme era de 222 minutos, mas os donos das salas de cinema exigiram uma versão mais curta de modo a poderem ter mais sessões por dia. O filme estreou, então, com 187, mas foi restaurado para a sua versão inicial em 1989.
Lawrence da Arábia revelou-se um novo sucesso para Spiegel, tendo conseguido arrecadar cerca de 20 milhões de dólares de receita e sete Óscares, incluindo o de melhor filme, melhor realizador, melhor fotografia e melhor música, da autoria de Maurice Jarre.
