Metro-Goldwyn-Mayer

A origem do mais famoso estúdio cinematográfico americano remonta a 1924, quando a cadeia de cinema Loew’s adquire a rival Metro Picture Corporation, e mais tarde as produtoras Goldwyn Picture Corporation e Louis B. Mayer Pictures Corporation. Desta fusão nasceu a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), que controlava todos os aspectos do negócio cinematográfico (produção, distribuição e exibição) e que, sob a direcção de Louis B. Mayer e Irving Thalberg tornar-se-ia no maior estúdio de Hollywood durante os anos 30 e 40.
O sucesso da MGM, cuja organização se assemelhava a uma fábrica, assentava nas suas produções de grande orçamento, cheias de glamour e de uma qualidade técnica que nenhum outro estúdio conseguia igualar. Durante as décadas de 30 e 40, o estúdio acolheu um vasto leque de técnicos e criativos, cujos trabalhos eram a marca do estúdio: do director de arte Cedric Gibbons até ao engenheiro de som Douglas Shearer, passando pelos realizadores George Cukor, King Vidor, Fritz Lang, Victor Fleming entre muitos outros. Mas a grande força da MGM residia na sua constelação de estrelas que incluía nomes como Clark Gable, Greta Garbo, Spencer Tracy, Joan Crawford, Judy Garland, Elizabeth Taylor, Jean Harlow, entre muitos outros. Durante este período, o logótipo da MGM, um leão envolvido pela expressão Ars Gratia Artis, era sinónimo de qualidade cinematográfica, mas os filmes que saíam do estúdio apenas pretendiam entreter o público e qualquer referência a temas sociais controversos era evitada ou suavizada.
O sucesso do estúdio neste período inicial deveu-se muito a Thalberg cuja aposta em produções de grande qualidade permitiu a realização de filmes como Ben-Hur, The Big Parade, Grand Hotel, David Copperfield, Mutiny on the Bounty, O Grande Ziegfeld, entre muitos outros. Após a sua morte, o estúdio continuou a produção de filmes de qualidade, mas a aposta centrou-se mais em filmes de entretenimento puro do que em adaptações literárias, como até ai. São deste período filmes como O Feiticeiro de Oz, E Tudo o Vento Levou, Casamento Escandaloso, entre outros. Mas do estúdio também saiam filmes de menor orçamento, mas de grande sucesso junto do público como as séries Andy Hardy, Dr. Kildare e Tarzan. Com esta estratégia e sempre sob o comando de Louis B. Mayer, a MGM conseguiu dominar a indústria cinematográfica até ao final da Segunda Guerra Mundial, produzindo entre 40 e 50 filmes por ano, quase todos sucessos de bilheteira.
O período do pós-guerra marca uma viragem no gosto do público, a televisão começa a inundar os lares americanos e assiste-se ao envelhecimento das estrelas da MGM. Para além disso o estúdio, já sem a direcção de Louis B. Mayer, é assolado com problemas internos, resultantes da decisão do governo em acabar com a concentração do negócio cinematográfico. Consequentemente, a Loew’s Inc vê-se forçada a desfazer-se da MGM e esta fica sem acesso exclusivo à cadeia de salas de cinema daquela e à sua principal fonte de financiamento.
Já sob o comando de Dore Schary, chefe de produção de Mayer, o estúdio produz uma série de filmes de baixo orçamento como The Asphalt Jungle, produções sumptuosas como Quo Vadis, algumas comédias de grande qualidade e dramas como Julius Caesar. Mas o genero que permitiu ao estúdio manter a sua predominância durante os anos 40 e 50, foi o musical. Com talentos como os realizadores Vincente Minnelli e Stanley Donen e os actores Fred Astaire, Gene Kelly, Judy Garland, Frank Sinatra, entre outros, o estúdio produziu filmes tão memoráveis como: On The Town, Um Americano em Paris, Serenata à Chuva, e Sete Noivas Para Sete Irmãos.
Os anos 60 trazem consigo um decréscimo de público e um aumento dos custos de produção que atinge toda a indústria cinematográfica, incluindo a MGM. Em 1970, o estúdio é adquirido por Kirk Kerkorian, um milionário ligado aos casinos de Las Vegas, que designa um antigo produtor de televisão como presidente do estúdio. A nova direcção da MGM inicia um conjunto de medidas de contenção, que passam pela redução de pessoal e de custos de produção, assim como pela lendária venda de milhares de adereços e guarda-roupa que constituíam a memória do estúdio. O conteúdo do leilão foi adquirido por $1.5 milhões de dólares, sendo posteriormente vendido por $12 milhões.
Em 1973, a MGM deixa de distribuir os seus próprios filmes, licenciando-os à United Artists no mercado americano e à CIC no resto do mundo. No final da década de 70, o estúdio tem uma presença marginal no panorama cinematográfico, mas a empresa continua a prosperar, graças a investimentos diversificados, nomeadamente em hotéis e casinos em Las Vegas e Reno.
Em 1981, a empresa adquire a United Artists e passa a designar-se, dois anos mais tarde, MGM/UA Entertainment. Em 1986 a Turner Broadcasting System, empresa de Ted Turner ligada à tv por cabo, adquire a MGM/UA por cerca de $1.5 bilhões de dólares, vendendo logo de seguida a United Artists e as empresas de produção e distribuição de filmes e tv da MGM a uma empresa de Kirk Kerkorian. Os estúdios da MGM foram vendidos à Lorimar-Telepictures, levando ao encerramento em 1989 dos famosos laboratórios Metrocolor, depois de mais de 50 anos de funcionamento. Neste negócio, Ted Turner manteve o extenso catalogo de filmes da MGM, onde se incluem filmes da Warner Bros. anteriores a 1948 e da RKO, num total de mais de 3.300 filmes.
Os anos seguintes foram de grande agitação e em 1990, a MGM/UA Communications Corporation foi adquirida por $1.3 bilhões de dólares pela Pathé Communications, uma holding italiana presidida pelo magnata da imprensa Giancarlo Parretti. Este mudou o nome da empresa para MGM-Pathé Communications e nomeou como presidente da empresa Yoram Globus, anterior responsável pela Cannon Group.
Após um ano de convulsões e golpes palacianos pelo controlo da empresa mãe, o banco francês Credit Lyonnais, o maior credor da MGM-Pathe, adquire 98.5% da empresa. A administração do banco afasta Parretti, recupera o nome Metro-Goldwyn-Mayer Inc. e nomeia o antigo presidente da Paramount Pictures Frank Mancuso como novo responsável pela MGM. No entanto, os resultados do estúdio continuam tão fracos como até ai e em 1996 Kerkorian, ajudado por Mancuso, compra novamente a empresa na tentativa de faze-la regressar aos tempos antigos.
A gestão de Kerkorian nunca deu muitos frutos e a MGM não foi mais do que uma empresa mediana, sem grandes sucessos de bilheteira, à excepção dos filmes da série James Bond, tendo mais sucesso na exploração do seu extenso catálogo em dvd. Após oito anos, Kerkorian volta a vender a empresa, desta vez a um consórcio que inclui a japonesa Sony, detentora da Columbia Pictures e a TriStar Pictures. Sob o comando de Harry E. Sloan , o consórcio tenta reavivar a MGM, fazendo esta regressar em força à produção e distribuição cinematográfica.
