A história da 20th Century Fox, no seu 75º aniversário

A Mulher Que Viveu Duas Vezes

Vertigo
Paramount Pictures

EUA, 1958, 128m, Thriller
Realizador: Alfred Hitchcock
Argumento: Alec Coppel e Samuel A. Taylor, baseado no livro D’Entre les Morts, de Pierre Boileau e Thomas Narcejac
Actores: James Stewart, Kim Novak, Barbara Bel Geddes, Tom Helmore, Henry Jones, Raymond Bailey, Ellen Corby

John Ferguson, um policia reformado com vertigens, é contactado por um amigo que lhe pede para seguir a mulher, que ele pensa estar a ficar doida. John, relutante, aceita ajudar o amigo, acabando por se apaixonar pela mulher.

Baseado na obra literária francesa D’Entre les Morts (dos mesmos autores da história que serviu de base ao filme As Diabólicas), A Mulher que Viveu Duas Vezes é um complexo olhar sobre a mente humana, onde a mestria de Alfred Hitchcock se revela nos “truques” visuais e narrativos que “manipulam” o espectador durante todo o filme. Dos diversos “truques” utilizados, destaque para a reviravolta narrativa a meio do filme (semelhante à que o realizador voltaria a utilizar em Psico) que altera por completo os sentimentos do espectador pelos personagens e história, e para a inovação, muito copiada desde então, da forma como Hitchcock representa a sensação de vertigem do personagem principal: o zoom-in da imagem ao mesmo tempo que a câmara recua.

A Mulher Que Viveu Duas Vezes marca a quarta colaboração entre Alfred Hitchcock e o actor James Stewart, onde este tem mais uma excelente (e difícil) interpretação. Nesta última colaboração entre os dois, Stewart contraria a imagem “limpa” que criou ao longo da carreira, personificando o frágil John Ferguson, que mais não é do que uma representação do próprio Hitchcock. Alias, e segundo palavras do realizador, A Mulher Que Viveu Duas Vezes é o seu filme mais pessoal, onde a personagem feminina principal, é uma representação das mulheres na vida de Alfred Hitchcock.

Aquando da sua estreia, A Mulher que Viveu Duas Vezes teve uma recepção bastante tímida (quer do público, quer da crítica), apenas tendo sido “descoberto” pela geração de Martin Scorsese e Brian De Palma, após anos de problemas de direitos de autor que tornaram o filme indisponível para exibição. A reputação do filme aumentou quando regressou às salas de cinema em 1983 e após o seu restauro em 1996, que permitiu que o filme fosse (re)visto nas suas cores originais e onde a banda sonora de Bernard Hermann sobressai em toda a sua glória.

Reflexo dessa tímida recepção inicial, A Mulher que Viveu Duas Vezes recebeu apenas duas nomeações para os Óscares, não tendo ganho nenhuma estatueta. No entanto, o filme é hoje considerado uma das obras-primas da sétima arte, estando constantemente no topo das listas dos melhores filmes de todos os tempos .